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TRIÂNGULO: O PRIMEIRO BAIRRO DE PORTO VELHO – Por Rita Vieira

Casas do bairro triângulo inicialmente

Fundado oficialmente apenas em 1914, o bairro Triângulo é o mais antigo de Porto Velho, abrigava os trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, estava muito próximo do pátio da ferrovia, o que facilitava o acesso desses trabalhadores que escolheram estrategicamente seu local de residência. Muitas famílias tradicionais moraram no bairro Triângulo, como algumas famílias Barbadianas.

Inicialmente o bairro era chamado de “Morro do Triângulo”, pois assim como o “Alto do Bode” e o “Morro do Querosene”, tinha suas subidas e baixadas, o que é visível ainda hoje na ladeira da escola Franklin Delano Roosevelt, no coração do Triângulo.

Porto Velho – 1909. Foto: Danna B. Merril

Seu nome é originado dos trilhos em formato de triângulo, presentes em seu meio, que serviam para o retorno e manobra de máquinas menores da ferrovia Madeira Mamoré, que não precisavam ir até a rotunda, no pátio da EFMM. Suas primeiras casas eram simples e humildes, a maioria de madeira, posteriormente, recebeu algumas construções em alvenaria.

O bairro Triângulo é berço da História cultural de Porto Velho, está intimamente ligado ao patrimônio fundante da cidade, que é a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, foi em um dos quintais do Triângulo, que um senhor chamado Joventino Ferreira deu início ao maior festival folclórico de Rondônia: O Arraial Flor do Maracujá.

Casas do bairro triângulo inicialmente

Relatam os mais antigos e memorialistas que seu Joventino convidava moradores do bairro para “brincarem” quadrilha em época de São João, as moças que dançavam na quadrilha usavam flores de maracujá para enfeitar os cabelos, que eram colhidas no próprio quintal do Joventino Ferreira, nascendo aí o nome do Arraial Flor do Maracujá.

O maior problema do bairro Triângulo, hoje, é o esquecimento, o descaso do poder público com a História de Porto Velho, presente e contata naquele bairro. Durante a cheia histórica do rio madeira em 2014, o Triângulo foi um dos bairros mais atingidos pelas águas barrentas do madeirão, por estar as margens dele, parou também às margens da História, no vagão dos esquecidos.

Mercado do peixe, cainágua, bairro triângulo 2014

A cheia derrubou e cobriu casas, desmoronou os barrancos, arrasou com trilhos dentro do bairro e tentou apagar sua História. A própria sede da associação de moradores do bairro Triângulo encontra-se em ruínas, desde a cheia de 2014 até aqui. É muito importante salientar que “O TRIÂNGULO NÃO MORREU” e sua História é a nossa História, é a História da Madeira Mamoré e de todas as suas gentes!

Rita Vieira

Formada em História pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), professora de História na Escola João Bento da Costa e Medquim Vestibulares, especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, além de estudiosa e pesquisadora da História Regional.

Contato: ritaclaravieira@gmail.com

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