Política e Cidadania

Uma monumental estupidez: investir contra a liberdade de imprensa para atingir a Lava Jato – Por Mara Paraguassu

Dias Toffoli, duramente criticado até mesmo por seus pares depois de toda estupidez, disse que não impôs censura
Above

O Supremo Tribunal Federal (STF)  cometeu uma monumental estupidez ao censurar a revista Crusoé porque esta disse, com base em documento sabe-se lá obtido de quem, que o ministro Dias Toffoli é o amigo de Lula que por sua vez foi um amigão de Emílio Odebrecht, o patriarca fundador da maior construtora do País, a que organizou o departamento de propinas para assaltar a Petrobras.

Nada demais disse a revista ao revelar que Toffoli era o amigo mencionado por Marcelo Odebrecht em resposta à indagação da Polícia Federal, que perguntou quem seria o personagem citado na delação do executivo, quando falou de uma negociação que, supostamente, envolveria a Advocacia Geral da União (AGU), na época comandada por Toffoli.   

A revista fez jornalismo: publicou o documento com a informação, provando que a reportagem não é fake news como disse o ministro Alexandre Moraes, o relator arbitrariamente nomeado no processo de investigação aberto para investigar possíveis detratores do Supremo Tribunal Federal, iniciativa totalmente irregular.

Na verdade, o Supremo Tribunal Federal, ou pelo menos parte de seus ministros, incluindo os dois patetões que recuaram na censura em razão da enorme repercussão negativa, querem mesmo atingir a Lava Jato.

Não gostaram do vazamento da informação. Os ministros supõem que seja obra de integrantes da operação Lava Jato, que há cinco anos põe de ponta cabeça o mundo da política e, nos últimos tempos, está em campo de guerra com a instituição judiciária máxima do País.

Ao transferir, por 6 votos a 5, para a Justiça Eleitoral os casos de crime comum quando a eles estiver vinculado crime eleitoral, como o caixa 2, o STF elevou a temperatura de desconfiança e descontentamento por parte de procuradores da Lava Jato.

De outro lado, a Lava Jato, em aliança com setores da imprensa, cria tensão nos poderes ao avançar no protagonismo de combate à corrupção, valendo-se, por vezes, de estratégias nada ortodoxas, escapando dos limites da lei. Porém, ganha o respeito e apoio da opinião pública porque faz entregas à sociedade: figurões atrás das grades  e milhões de reais recuperados.

Já o STF, para a sociedade, macula o sistema judiciário: a morosidade no julgamento de políticos que detêm foro privilegiado e a ausência de governança que exibe uma Corte instável juridicamente, por conta dos humores da política, deixam cada vez mais desconfiados os brasileiros.

A Crusoé teve acesso ao documento antes mesmo da direção da PGR, e nessa questão lateral se apegou Moraes para arbitrar multa de cem mil reais à revista, ainda que seus diretores tenham imediatamente retirado a matéria de circulação.

Dias Toffoli, duramente criticado até mesmo por seus pares depois de toda estupidez, disse que não impôs censura e que a investigação contra quem agride e pratica expressão de ódio contra o Supremo Tribunal Federal (STF) vai continuar. Segundo o jurista Joaquim Falcão, essa investigação jamais deveria estar a seu encargo(do STF).

FAKE NEWS É DIAS TOFFOLI

“A interpretação que Toffoli deu do regimento do STF é inconstitucional. Ele interfere, confunde a sede do STF com a competência da própria Corte. Além disso, a investigação da revista Crusoé e das demais pessoas também é inconstitucional. A PGR tem competência privativa para abrir uma ação penal pública, que começa com um inquérito. O Supremo não tem essa competência”, afirmou, ainda, Joaquim Falcão.   

“Não concordo com nada do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizeres” – frase da escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall, biógrafa do pensador francês Voltaire, deveria ser cláusula pétrea para quem é o guardião da Constituição Federal.

DEVERIA.

Constranger jornalistas e investir contra a liberdade de imprensa para intimidar uma revista e um portal (O Antagonista) reconhecidos pela capacidade de municiar leitores com informações inéditas, ao invés de agir para coibir excessos das fontes que têm obrigação de guardar sigilo das informações, quando for o caso, foi mesmo, como comprovam as reprovações à medida, uma monumental estupidez.

No mais, fake news é Dias Toffoli: sem credenciais para compreender o tamanho da responsabilidade do cargo que ocupa.  

Mara Paraguassu – Jornalista desde 1989. Trabalhou nos jornais Estadão do Norte, O Guaporé e Diário da Amazônia.  Cobriu eleições para a Agência Estado. Trabalhou no Governo de Rondônia por quase 20 anos. Foi assessora parlamentar durante 12 anos no Congresso Nacional. É graduada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com especialização em Ciências Políticas pela Unilegis, Universidade do Legislativo Brasileiro.  

Below

Mais sobre o autor

Blog da Mara | Opinião e Notícia

Blog da Mara | Opinião e Notícia

Jornalista desde 1989. Trabalhou nos jornais Estadão do Norte, O Guaporé e Diário da Amazônia.  Cobriu eleições para a Agência Estado. Trabalhou no Governo de Rondônia por quase 20 anos. Foi assessora parlamentar durante 12 anos no Congresso Nacional. É graduada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com especialização em Ciências Políticas pela Unilegis, Universidade do Legislativo Brasileiro.  

Entre em contato. Email maraparaguassu1@gmail.com