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UNKNOWN PLEASURES – Um disco que faz 40 anos e mudou a história da música moderna

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Vou reproduzir a matéria incrível da Rolling Stones sobre um dos meus discos favoritos da história da música mundial e que foi lançado há exatos 40 anos, 15 de junho de 1979.

Eu o comprei nos anos 80, precisamente em 1987 quando a gravadora brasileira Stiletto lançou no Brasil um pacote de discos de bandas inglesas que pertenciam a gravadora Factory, da cidade britânica de Manchester.

“Unknown Pleasures”, da banda Joy Division, foi esse vinil lindo e espetacular, que me causou estranheza nas primeira audições, pois era diferente de tudo o que eu havia ouvido até então como adolescente. Era rock, soturno, meio pesado e diferente.

A banda Joy Division em sua formação clássica

Lançado em 1979, chegou ao Brasil com um atraso de oito anos, mas valeu a pena. Foi o primeiro disco da banda e que depois viria com uma outra obra prima, lançada um ano depois, “Closer”, e que foi um álbum póstumo, chegando as lojas após a morte do vocalista e letrista Ian Curtis, que se matou enforcado.

Os dois discos originais lançados pela banda

Leia abaixo a matéria especial da Rolling Stones sobre o disco “Unknown Pleasures”.

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40 anos de Unknown Pleasures: 9 fatos desconhecidos sobre o disco do Joy Division

Unknown Pleasures, além de ser o disco de estreia e metade da breve discografia do Joy Division, é um dos trabalhos mais influentes da história do rock, e que não impactou apenas esse gênero, mas o mundo da música no geral.

Neste sábado, 15, o álbum completa 40 anos, e para comemorar as quatro décadas de existência desse marco da indústria fonográfica, separamos alguns fatos desconhecidos que envolvem o processo de criação da obra idealizada por Ian CurtisBernard SumnerPeter Hook e Stephen Morris.

1 – Origem da capa

Capa do disco original

A imagem que estampa a capa de Unknown Pleasures foi encontrada por Bernard Sumner(ou por Stephen Morris, dependendo do relato e da fonte) na Enciclopédia de Ciências de Cambridge. Ela representa a leitura de ondas de rádio emitidas pelo Pulsar CP 1919. O pulsar em questão representa as reminiscências de uma estrela após ela entrar em colapso consigo mesma e, consequentemente, deixar de existir.

2 – Atmosfera gélida

Joy Division ficou conhecido por criar uma atmosfera não apenas mórbida, mas também gélida que é transmitida pelo som de cada faixa do disco. E o curioso é que essa frieza fez parte do processo de gravação: Martin Hannett, que trabalhou no álbum, deixava o ar condicionado do estúdio em temperaturas congelantes. Segundo ele, era bom para o diabetes do engenheiro de som Chris Nagle.

Ian Curtis ao lado do produtor do disco, Martin Hannet

3 – Orçamento

Inicialmente, a gravadora independente Factory deu à banda britânica £ 5 mil para fazer Unknown Pleasures. Porém, cinco dias depois do início das gravações, o quarteto já havia mais que o dobro: pelo menos £ 12 mil.

4 – Elementos improváveis foram usados como sons

De acordo com Chris NagleHannett usou tudo que podia para incrementar a sonoridade do disco. Em “Insight“, o barulho de elevador antigo, que é ouvido no começo da faixa, foi realmente gravado pelo produtor no poço de um elevador antigo. Em “I Remember Nothing“, vidros foram quebrados só para gravar o som que se ouve ao longo da música que encerra o disco.

5 – Bono Vox quis substituir Ian Curtis

U2 foi muito influenciado por Unknown Pleasures. E mais que isso: ele queria até entrar para a banda. Peter Hook contou ter ouvido que, após o suicídio do vocalista Ian CurtisBono falou para Tony Wilson (Fundador da Factory Records) não se preocupar, pois ele assumiria de onde Curtis parou. E como todos já sabem, isso nunca aconteceu.

6 – Peculiaridades do processo de gravação de Ian Curtis

O engenheiro Nagle contou que Ian Curtis ouvia apenas uma vez a música antes de entrar na cabine e gravar seus vocais de primeira, sem segundas chances. Além disso, ele lia as letras quantas vezes fosse necessário para decorá-las pois, durante a gravação da voz, não carregava as folhas com elas escritas.

O vocalista Ian Curtis

7 – As letras das músicas não foram colocadas no encarte propositalmente

A banda optou por não disponibilizar no encarte as letras das músicas, com o objetivo de deixar aberta a possibilidade de mais interpretações pois, segundo Hook, “nossas letras significam coisas completamente diferentes para cada pessoal. Você pode ouvir uma coisa, e a pessoa ao seu lado pode ouvir algo completamente diferente.”

“Não queremos dizer nada. Não queremos influenciar as pessoas. Não queremos que saibam o que a gente pensa”, acrescentou. 

8 – A história por trás de “She’s Lost Control”

A clássica “She’s Lost Control” é sobre uma garota que sofria de epilepsia, assim como o próprio Ian Curtis, que costumava aparecer de vez em quando no lugar onde o vocalista trabalhava. Sumner contou que, um certo dia, ela parou de dar as caras por lá, e “[Ian] achou que ela devia ter encontrado um emprego, mas descobriu depois que ela teve um ataque e morreu”.

9 – O Joy Division gostou do resultado final de Unknown Pleasures?

Não!! Aliás, eles odiaram. “A produção inseriu uma ambientação obscura e apocalíptica ao álbum”, disse Sumner. “Nós pintamos uma imagem em preto e branco, e Martin foi lá e coloriu por nós. Ficamos muito chateados”.

Contato: Marcos Gomes (Facebook) e marcos35anos@gmail.com

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Comentando Notícia | Marcos Souza

Marcos Souza Gomes, paulista, nascido em Ipaussu (SP), foi criado quase que a vida inteira em Porto Velho (RO), é formado em Comunicação Social, Jornalismo, pela Faro – da primeira turma do Estado de Rondônia. Iniciou como revisor do Jornal Alto Madeira, em 1992, e depois passou a ser repórter do segmento cultural do matutino e em 1996 foi editor do Caderno Dois. Logo que se formou, em 2005, junto com mais três amigos de faculdade fundou o portal de notícias Rondoniaovivo, onde permaneceu até 2015. Especialista em cultura pop, crítico de cinema, atuante nas redes sociais, hoje trabalha como produtor de reportagem na SIC TV Record RO e é editor de matérias do site O Rondoniense.